Gabaritos de Mapas e Gráficos para Lousa

 

Base transparente para montagem de curva de nível

  POR QUE O MUNDO ESTÁ EM CRISE ?

(Texto elaborado para o público adolescente)

Para explicar a crise que afeta o mercado financeiro mundial seria preciso uma vasta exposição sobre a origem do mercado de capitais, do papel-moeda, do mercado de Ações, entre outros assuntos econômicos. Este é o tema central de inúmeros livros e artigos editados constantemente em todo o mundo. De forma simples, podemos afirmar que a economia dos países capitalistas está em crise devido a perda do controle sobre a “Lei da Oferta e Procura1”, a lei que controla a economia do mundo capitalista.

O preço da mercadoria pode “reduzir” se houver muita “oferta” de produtos, ou “aumentar”, caso haja falta dele, assim como o inverso: o preço da mercadoria pode “aumentar” se houver muita “procura”.

Na sociedade temos o setor produtivo que se encarrega de produzir ou extrair bens de consumo da natureza, e o mercado consumidor, que consome as mercadorias produzidas, formando um ciclo. Quem produz consome, e quem consome produz.

Quando o fabricante acredita que seu produto terá uma grande procura, ele deseja aumentar sua produção. Porém, muitas vezes não possui dinheiro suficiente para pagar seu custo de produção. Neste momento aparece outro setor da sociedade no ciclo econômico: o “setor financeiro” ou “especulativo2”, que pode emprestar dinheiro tanto para quem produz como para quem consome a mercadoria e não tem dinheiro para pagá-la de imediato.

Neste ciclo, o setor produtivo procura constantemente ampliar a produção de mercadorias e quanto maior for seu consumo, maior será seu lucro, assim como a quantidade de empregados para produzi-la. Por este motivo, novos produtos são divulgados constantemente para serem consumidos, e os antigos produtos, descartados e substituídos pelos novos, que salvo algumas exceções, são sempre produtos mais sofisticados e menos duráveis, para que as pessoas não parem de consumir. Nossos pais não cansam de dizer que “antigamente os produtos duravam muito mais”, como os eletrodomésticos, automóveis etc.

Atualmente, grande parte do setor produtivo e dos consumidores, recorrem constantemente ao setor financeiro para continuarem o ciclo econômico, pois ao final de cada ciclo, precisam pagar o que emprestaram e só conseguirão iniciar um novo ciclo se fizerem empréstimos novamente. Ou seja, tanto quem “oferece” como quem “procura” a mercadoria, precisa “gastar seu dinheiro antes de ganhá-lo”.

O mercado financeiro tornou-se tão importante para a economia, que as intervenções governamentais priorizam mais os índices das taxas de juros que deverão ser praticadas do que as mudanças no setor produtivo. Quanto maior a taxa de juros, menor será o consumo e a inflação, mas em contra-partida, maior será a “entrada de investimentos” (nacionais e estrangeiros) em Ações cotadas em Bolsas de Valores e vice-versa. As intervenções no setor produtivo, como o aumento ou redução dos impostos, do salário mínimo, entre outras áreas, são fatores secundários que dependem dos financiamentos feitos pelo setor produtivo e pelos consumidores.

É por isso que ouvimos diariamente os comentaristas econômicos darem tanta importância aos índices da Taxa Anual de Juros3 estabelecida pelo Banco Central.

Podemos dizer de uma forma simplificada, que o “dinheiro”4 é a representação de tudo que é produzido e pode ser trocado por ele de acordo com seu valor, maior ou menor, de acordo com a Lei da Oferta e Procura. Porém, o setor especulativo pode emitir mais dinheiro do que ele realmente representa, o que provoca um “aumento de consumo e também dos preços das mercadorias”5. Porém, reduz o desemprego, uma vez que o consumo aumenta, e as empresas precisam empregar mais pessoas.

Quando o papel-moeda é emitido em quantidade menor que a mercadoria a qual representa, o consumo diminui, assim como a inflação. Mas o desemprego aumenta.

Os governos de diversos países controlam este mecanismo pelo Banco Central, que se encarrega de emitir e colocar o dinheiro em circulação. No mercado de Ações também existe um controle dos governos de cada país na emissão de Ações6 cotadas em Bolsas de Valores. Porém, cada país estabelece suas “regras”7. Alguns países permitem que empresas financeiras possam emitir mais ou menos Ações, de acordo com sua conveniência.

A Bolsa de Valores também funciona de acordo com a Lei da Oferta e Procura. Quando a procura de Ações de uma determinada empresa ou “produto mineral ou agropecuário”8 aumenta, novas Ações podem entrar em circulação, mesmo que não tenha “valor real” 9.

Esta liberdade oferecida às empresas é praticada por diversos países, entre eles, os Estados Unidos. Com esta falta de regras, as empresas do setor financeiro podem tanto estimular, como frear, ou até “quebrar” o ciclo econômico.

Esta quebra ocorre quando as pessoas e empresas que adquirem Ações resolvem trocá-las por mercadorias. A “oferta” de Ações aumenta e seu preço é reduzido. E caso as Ações tenham sido emitidas sem controle, a empresa financeira não terá como trocá-los por mercadorias ou outras Ações, portanto decretará falência (quebra).

Nossos pais lembram muito bem quando uma empresa brasileira do setor agropecuário passou a emitir Ações de acordo com a quantidade de animais bovinos que existiam em suas fazendas na década de 1990. Na época, contrataram até ator de novela para divulgar a alta rentabilidade de suas Ações. E como passaram a emitir mais Ações do que a quantidade de animais que realmente possuíam, poucos anos depois “quebraram” quando seus investidores resolveram vender suas Ações, que perderam todo seu valor, uma vez que ninguém mais queria comprá-las.

O que estamos presenciando em 2008 e 2009, segue o mesmo raciocínio, porém, numa escala “infinitamente maior”, uma vez que as empresas que estão quebrando nos Estados Unidos, venderam suas Ações para milhares de empresas e pessoas em todo o mundo.

No Brasil, pelo fato das empresas financeiras cumprirem algumas regras impostas pelo Banco Central, como depósitos em papel-moeda aos cofres públicos para garantirem suas atividades financeiras, o governo ainda pode “minimizar” a crise internacional. Porém, inúmeras empresas brasileiras, “e até mesmo o governo” adquirem Ações de empresas estrangeiras que quebraram ou poderão quebrar nos próximos meses. O que pode gerar um momento semelhante ao que ocorreu em 1929, com a “quebra da Bolsa de Valores de Nova Iorque”10.

A situação atual desta crise pode ser muito diferente daquela época, mas a causa é a mesma.

A liberdade oferecida ao mercado financeiro dos Estados Unidos e outros países, fez com que as empresas criassem ou valorizassem seus Papéis muito além do que eles realmente valem. E isto pode causar um efeito devastador na economia, diminuindo o consumo e conseqüentemente aumentando o desemprego e a falência de empresas do setor produtivo e especulativo, além das pessoas físicas que investem em Ações diretamente ou indiretamente, como é o caso dos “planos de aposentadorias privadas11 .

Para dar um exemplo fictício de “recessão12”, supomos que milhares de pares de tênis estocados nas lojas não são vendidos devido à falta de crédito para a maioria dos consumidores que já estão endividados e não conseguem consumir além de suas necessidades básicas. As lojas diminuem o número de atendentes para reduzir seus gastos com funcionários. Os fabricantes de tênis, também não conseguem vender seus produtos para renovar seus estoques e também passam a demitir seus funcionários. Seus fornecedores de matéria-prima como borracha, algodão, e outros produtos, também vendem menos, e passam a demitir seus funcionários. Em pouco tempo, aquele comerciante que vendia tênis terá uma queda ainda maior sobre suas vendas e demitirá ainda mais funcionários, e todos aqueles desempregados irão consumir cada vez menos alimentos, vestuários, eletrodomésticos, automóveis, materiais de construção, imóveis etc.

Conseqüentemente, outros setores da economia também seriam “contaminados” pela falta de consumo. É o que pode ocorrer nos próximos meses em todo o mundo.

Para solucionar este problema não existem muitas fórmulas. Inclusive algumas já estão sendo aplicadas. Será preciso além de estabelecer maior regulamentação para o mercado financeiro, uma intervenção do governo para comprar empresas e Ações que perderam seu valor, e elaborar planos de infra-estrutura para gerar empregos e estimular o consumo. Da mesma forma que foi executado pelo governo Roosevelt na década de 1930 nos Estados Unidos, quando o governo interviu efetivamente na economia contratando milhares de pessoas para executarem obras de infra-estrutura, como hidrelétricas, estradas, ferrovias, habitações etc., e políticas públicas com o objetivo de “aumentar o número de consumidores e, principalmente, seu poder de consumo” com o fortalecimento dos sindicatos para impedir demissões e redução de salários nas empresas privadas.

Tudo indica que o novo presidente dos Estados Unidos eleito em 2008 poderá seguir os mesmos caminhos do presidente Roosevelt naquele período. Mas isto é apenas previsão.

 

Temas para aprofundamento no assunto:

1 - Lei da Oferta e Procura

2 – Mercado Especulativo

3 – Taxa de Anual de Juros / SELIC

4 - Papel-moeda

5 - Inflação

6 – Mercado de Ações

7 – Regulação do Mercado financeiro

8 – Commodities

9 – Lastro

10 – Quebra da Bolsa de Nova Iorque em 1929

11 – Planos de Previdência Privada

12 – Recessão Econômica

RIO SÃO FRANCISCO

Represa de Sobradinho/BA

Considerado o maior lago artificial do mundo, a Represa de Sobradinho inundou diversas cidades, como Remanso, Casa Nova, Sento Sé e Pilão Arcado em 1978. Apesar do aproveitamento hidrelétrico, a construção de barragens inutiliza os melhores solos agrícolas, além de causar grandes impactos ambientais com o uso de agrotóxicos nas culturas agrícolas de suas margens, como podemos observar nas fotos abaixo.

PROJETO DE TRANSPOSIÇÃO DAS ÁGUAS DO RIO SÃO FRANCISCO

mais fotos no fotoblog:

http//gersonrleite.nafoto.net

HALLOWEEN – TRADIÇÃO OU ACULTURAÇÃO ?

As manifestações culturais sempre foram motivo de orgulho para os diversos povos do planeta, que as transmitem de pais e avós para os filhos durante séculos.

Para as nações formadas por diversos povos e etnias, as manifestações culturais são ainda mais expressivas, como no Brasil, que apresenta grande influência indígena, africana, européia e asiática, e que atualmente representam o folclore brasileiro.

Mas no Brasil, a partir do século XVI, sempre houve uma pequena parcela da população que desprezou e despreza sua própria cultura. Sente "vergonha de seu próprio povo" e sempre procura "desqualificar" o Brasil e valorizar a cultura estrangeira, ou melhor, dos estrangeiros ditos "civilizados", já que também despreza a cultura dos países não-industrializados, a qual qualificam como "subdesenvolvidos" ou "pobres".

O fato de valorizar outros povos é extremamente benéfico para a humanidade, uma vez que permite conhecer e respeitar as pessoas de outras nações. Vale lembrar que o nacionalismo é a causa de inúmeras guerras ocorridas no passado e que também ocorrem no presente.

Porém, isto não impede que nós, brasileiros, valorizemos nossa cultura. Infelizmente estas pessoas que desprezam o Brasil são formadoras de opinião, apesar de representarem a minoria que possuem alto ou médio poder aquisitivo, com raras exceções, e acabam influenciando a maioria dos brasileiros, especialmente os que possuem pouco raciocínio crítico. Isto não significa grau de instrução, uma vez que muitos brasileiros que não freqüentaram escolas conseguem raciocinar mais que alguns que possuem instrução de nível superior.

O simples fato da cultura popular se perpetuar através de gerações, automaticamente nos remete às crianças, pois são elas que irão transmitir o que aprenderam com seus antepassados aos seus filhos no futuro.

Brincadeiras infantis comuns no passado estão desaparecendo em algumas regiões. Fato atribuído à urbanização, informática, etc. Da mesma forma, o folclore, que inclui lendas, estórias, músicas... , também está desaparecendo, e o pior: sendo substituído por costumes muito distantes das crianças brasileiras.

O Dia das Bruxas (Halloween), tradicional festa folclórica de alguns povos de formação Anglicana, na qual as crianças visitam residências no dia 31 de outubro pedindo oferendas, se difere, e muito, até mesmo do nosso conhecido dia de São Cosme e Damião, comemorado em 27 de setembro.

Lembro-me deste dia como se fosse hoje (quase trinta anos atrás)! Eu e meus amigos fomos avisados que iriam distribuir doces "prá todo mundo" lá no final da rua. Era um Centro de Umbanda que comemorava a data. Chegando lá, um dos amigos me disse: -- Não come essa bala, não ! Minha mãe disse que doce de Macumba faz mal ! Graças a Deus, desobedeci meu amigo e devorei aquela "bala Juquinha", mesmo sem saber o significado da palavra "preconceito".

As crianças de outras nações preservam suas tradições. E as nossas crianças ? Vamos esquecer da "loira com algodão no nariz", sempre presente nos banheiros escolares ? Do "homem do saco", que capturava as crianças desobedientes que saíam de casa sozinhas (lembra até a verdadeira lenda de Papai Noel!) ? Da Mula-sem-cabeça, do Saci-Pêrêrê... entre outras riquezas já registradas em nossa Literatura ?

saci pêrêrê (por Ziraldo)

Algumas pessoas já estão se mobilizando para resgatar nosso folclore, como em São Luíz do Paraitinga, no interior de São Paulo. A cidade promove sempre na última semana de outubro, atividades como cantigas de roda, peças teatrais com temas folclóricos, oficinas para confecção de bonecos, esculturas, etc., com o objetivo de contrapor a Festa das Bruxas.

Assim como eles, precisamos usar nossa criatividade para impedirmos mais uma forma de aculturação que se aproxima dos brasileiros.

E este é o momento oportuno para mostrarmos às nossas crianças a riqueza cultural do Brasil, e que devemos nos auto-valorizarmos, assim como outros povos já fazem há muito tempo.

 

JUROS ALTOS CONSOMEM ATÉ UM MÊS DE TRABALHO DOS BRASILEIROS

Texto elaborado pelos alunos do 9ºAno do

Colégio Singular Júnior em 2005


O processo de globalização nos últimos anos trouxe ao Brasil avanços tecnológicos em diversos setores da economia, mas tornou o setor financeiro (especulativo) essencial para o desen-volvimento do país. Ao investir ou emprestar dinheiro, os credores internacionais impôem regras. Além do já conhecido Déficit Primário, o país precisa incentivar o setor financeiro. É por esse motivo que o Brasil precisa manter sua taxa anual de juros (SELIC) maior que a de outros países. Desta forma os investidores estrangeiros permanecem no país com seu capital. Mas somente este fato não justifica os juros tão altos que o setor financeiro cobra da sociedade. Se a taxa anual é de 20 % em média, por que os juros chegam até 150 % ao ano ? Ocorre que os investidores querem ter "lucro garantido" e "não correr riscos". Para isso, cobram mais para "compensar a inadimplência", como e dito nos meios de comunicação. Em outras palavras, as pessoas e empresas honestas pagam pelos inadimplentes, e o que mais preocupa é que a economia está cada vez mais dependente de financiamentos. É o que mostra a pesquisa realizada no colégio, em que 90 % das pessoas entrevistadas compram mercadorias á prazo. As pessoas estão gastando o que ainda não ganharam. E novo modelo econômico, baseado no Neoliberalismo, deixa claro que o governo não deve interferir na economia. Portanto, os cidadãos devem ter consciência do que fazem, caso contrário, serão enganados pelas estratégias de marketing utilizadas pelo setor fincanceiro, como ocorre atualmente com os financiamentos descontados em folha de pagamento, pois neste caso não há riscos de inadimplência.

DESLOCAMENTOS POPULACIONAIS (MIGRAÇÕES) VISTOS PELOS LIVROS DIDÁTICOS BRASILEIROS

No grande fluxo migratório brasileiro durante as décadas de 1950 e 1960 para o sudeste dos país, aparentemente "todos" os migrantes eram provenientes da zona rural do nordeste que procuravam trabalho no setor secundário em São Paulo e Rio de Janeiro, quando na realidade grande parte dos migrantes se instalaram em pequenas cidades antes de se dirigirem às futuras metrópoles, pois aquele que migra, não quer se desvincular absolutamente de suas raízes, e luta em permanecer em sua terra natal.

Além disso, nem todos eram paupérrimos em busca de emprego da forma como sempre é mencionada. Muitas vezes o migrante torna-se miserável, pelo próprio ritmo das migrações que lhe é imposto. José de Souza Martins em sua obra: Não Há Terra Para Plantar Neste Verão, no capítulo que trata das migrações temporárias, identifica no mínimo sete diferentes fluxos migratórios:

"... os sete tipos mais significativos são os seguintes:

  1. trabalhadores rurais que migram temporariamente para as cidades em busca de trabalho na indústria...

  2. indígenas que migram temporariamente para as cidades em busca de trabalho...

  3. trabalhadores rurais que migram temporariamente para outras zonas rurais...

  4. trabalhadores assalariados (os chamados "bóias frias") que se afastam de seus lugares de residência por vários dias ou semanas, levados pelo "gato", para trabalhos temporários...

  5. camponeses e, sobretudo filhos de camponeses (...) levados do Maranhão, de Goiás e de outras regiões para trabalharem como peões na derrubada das matas e formação de fazendas, em regime de peonagem...

  6. trabalhadores rurais e urbanos levados como peões assalariados para trabalhar na construção de estradas e na construção de usinas hidrelétricas...

  7. camponeses que, na entressafra agrícola, trabalham como garimpeiros..."

Destaca ainda na seqüência, três modalidades de migrações temporárias: as cíclicas, com tempo certo de saída e retorno de acordo com o tempo cíclico das estações do ano; outra que é regulada pelo calendário agrícola da lavoura do próprio migrante (no lugar de origem) e tem como destino a indústria da grande cidade ou a construção civil; e finalmente as migrações determinadas pelo ritmo irregular das grandes obras públicas ou privadas. No entanto, em qualquer um dos casos, o camponês vive no limite da subsistência, de forma que:

"...Ao invés de ter o que receber, passa a dever ao patrão (...) a proporção do capital constante se eleva em relação ao capital variável sem qualquer avanço técnico, sem qualquer desenvolvimento econômico real, aumentando as taxas de acumulação às custas da destruição física do trabalhador e da mutilação de sua escassa existência civil, como cidadão, como pessoa livre e igual..."

Também é equivocada a visão de que as migrações predominam de cidades ou países pobres para "locais ricos". A maior parte dos fluxos migratórios ocorrem entre áreas pobres como na América do Sul, África e Ásia. Este fato também comprova que os países ricos são priorizados no estudo da chamada "Geografia Geral", com raras exceções que, por serem países pobres são sempre lembrados de forma negativa, enquanto que os países ricos servem sempre como "exemplos" a serem seguidos pelos outros países. O próprio termo "desenvolvido e subdesenvolvido" no lugar de "industrializado e não-industrializado", confirma a parcialidade dos escritores que julgam o modo de vida europeu e estadunidense, um padrão de vida perfeito para a humanidade.

Sobre esta priorização dos indicadores dos países ricos, destacamos de J. W. Vesentini em Brasil: Sociedade e Espaço:

"... Em 2000 a esperança ou expectativa de vida do brasileiro era de 68 anos em média (...) Embora tenha aumentado nas últimas décadas, ainda é baixa quando comparada com a dos países desenvolvidos (...) No Brasil, os índices médios de mortalidade infantil apesar de terem diminuído nas últimas décadas - ainda são muito altos: 35 por mil, enquanto na Suécia são de apenas 5 por mil e nos Estados Unidos 7 por mil..."

No âmbito das migrações, Vesentini revela os fatores das migrações internas rural - urbana e pendulares, esclarecendo:

"... A partir de 1970, outras unidades da Federação, na Amazônia e no Centro - Oeste, começaram a ter crescimento demográfico superior ao do Centro - Sul (...). Goiás, Mato Grosso, Rondônia e Roraima passaram a receber grande quantidade de migrantes oriundos do Nordeste, do Sudeste e até do Sul do país. As principais migrações inter-regionais dos nossos dias ocorrem em direção à Amazônia e ao Brasil Central..."

A relação entre desenvolvimento e indicadores sócio-econômicos satisfatórios é assim discutida por Melhem Adas:

"... Existe uma estreita relação entre desenvolvimento econômico e taxa de fecundidade e de natalidade. Os países desenvolvidos apresentam baixa taxa de fecundidade e de natalidade, em vista, entre outros fatores, do alto nível educacional da população e da grande presença da mulher no mercado de trabalho. Já nos países subdesenvolvidos, naqueles formados, geralmente por sociedades tradicionais, onde não ocorreram grandes transformações socioculturais, o papel da mulher ainda é o de procriar, criar filhos e de se dedicar aos afazeres domésticos..."

Nos últimos 500 anos, todos os movimentos populacionais ocorridos no Brasil, são justificados por algum fator econômico: ouro em Minas Gerais, café em São Paulo, cacau na Bahia, borracha na Amazônia, construção de Brasília, industrialização do Sudeste, agricultura no Centro-Oeste, etc. As particularidades diversas dos indivíduos nunca são mencionadas. Segundo Melhem Adas, a organização espacial de acordo com os interesses econômicos é assim discutida:

"... Isso, por sua vez, implicou a criação de espaços geográficos pouco ou nada articulados entre si, produzidos e organizados segundo módulos, "ilhas" ou "arquipélagos econômicos". Desse modo, no Brasil colonial eles demonstravam a ausência de uma integração espacial interna..."

Nos últimos anos, devido a elevação da expectativa de vida, muitas pessoas ao se aposentarem, "migram" das metrópoles para pequenas cidades em busca apenas de conforto, que também podemos chamar de "qualidade vida", devido aos sacrifícios que o indivíduo se submete e ainda, a saudade que muitas pessoas sentem da vida simples e pacata que viviam antes de terem migrado para as metrópoles.

Portanto, toda forma de generalização de um determinado assunto esconde detalhes importantes que, quando mencionados de maneira simplista podem formar opiniões distorcidas sobre os fenômenos populacionais. Os fatores econômicos sempre são utilizados para justificar as atitudes humanas. As pessoas que migram estão sempre (e obrigatoriamente) em busca de melhores condições de vida.

Como a população é sempre vista como um simples fator econômico, o termo "fecundidade" é substituído por "fertilidade", ou seja, o nascimento de uma criança não tem significado para a família e sim para a sociedade, que a tornará apenas parte de uma estatística e de mão-de-obra para a classe dominante segundo Francisco de Oliveira no livro: A Economia da Dependência Imperfeita:

"... Se a mortalidade é o lado do "consumo" das forças de trabalho ou da sua negação, a fertilidade responde pela reposição de uma das reservas das forças de trabalho, talvez a mais remota reserva (e não a mais próxima), que é a reprodução da população; pois, sob o capitalismo, a mais próxima reserva de forças de trabalho é o próprio "exército industrial de reserva", cujos movimentos de expansão e/ou de contração são determinados pelo ciclo da acumulação de capital e não pelos movimentos demográficos..."

Portanto, precisamos estudar o tema "migração", de forma mais abrangente, para contrapor o "estereótipo do migrante", criado nas grandes metrópoles pelas camadas mais privilegiadas da população, a qual denominam: intrusos, desocupados, preguiçosos, etc., quando na realidade, são os grandes responsáveis pelo desenvolvimento destas localidades e do próprio país.

Texto de Marta Regina Nardy e Gerson Rodrigues Leite (Dezembro/2003)

COMENTÁRIOS SOBRE CUBA

 

Neste texto resumido sobre a sociedade cubana, procurei mostrar o cotidiano dos cubanos. Suas alegrias, dificuldades, além de conclusões pessoais sobre diversos temas subdivididos. Com relação à visita a Cuba, infelizmente não foi possível conhecer lugares essenciais como indústrias e áreas agrícolas devido a falta de tempo, mas quem sabe da próxima vez ? De toda forma, valeu a visita principalmente pelo fato de comprovar que quase tudo que a mídia brasileira apresenta sobre Cuba não passa de informações sem fundamentação lógica e manipuladas para enganar as pessoas.

 

SAÚDE

A saúde da população é prioridade para o governo cubano desde a Revolução. Os investimentos na saúde "preventiva" das pessoas envolvem outros ministérios, uma vez que saneamento básico, educação, ciência e tecnologia contribuem para o bem-estar das pessoas. A Dengue, por exemplo, é combatida com pesquisas em todo país, que recolhem amostras para análise em recipientes feitos com pneus usados em locais estratégicos.

Em Guantánamo, no interior do país, pude ver no final de tarde toda a cidade coberta por uma nuvem de inseticida (desenvolvido no país) aplicado pelos agentes de saúde. Ou seja, fazem de tudo para que as pessoas não fiquem doentes. Por isso, é fácil compreender porque os postos de saúde estão sempre vazios, praticamente, com médicos e enfermeiros conversando na porta, à espera de algum paciente.

A prática de esportes, incentivada em todo o país, também está na pauta do Ministério da Saúde, uma vez que contribui para uma vida saudável dos habitantes e reduz o número de enfermidades.

 

EDUCAÇÃO

A educação representa atualmente o maior orgulho do povo cubano. Todas as crianças freqüentam a escola em período integral. Dos quinze dias percorridos em boa parte da Ilha, não consegui encontrar nenhuma criança nas ruas antes das 17:00 h., horário em que retornam para casa, aliás, casa mesmo, pois todos possuem moradia, mesmo que rudimentar.

Embora o país não possua grandes indústrias têxteis, todas as crianças recebem uniformes escolares de acordo com o grau de estudo. Atualmente o Governo pretende instalar televisores em todas as salas de aula do país gradualmente. Para isto, está negociando com o Governo chinês a importação dos aparelhos. Para cada ausência do aluno é preciso justificativa dos pais, mesmo sem ter 25% de faltas. Mas é interessante ver o orgulho dos pais em acompanhar a rotina escolar de seus filhos.

Existem diversos tipos de bibliotecas em Cuba que atendem desde o público universitário ao público em geral, com expediente das 08 às "21 horas", inclusive nos finais de semana, para atender trabalhadores, e não apenas as pessoas privilegiadas.

Em Cuba foi adotado o sistema muito defendido por Darcy Ribeiro e outros educadores no Brasil: --Pode faltar dinheiro para qualquer área, menos para educação, principalmente para a educação básica.

* Imagem de uma escola na cidade de Baracoa. Durante a visita em toda a Ilha, não fui impedido de fotografar nenhum local público externo e interno. Muito pelo contrário, a população se simpatiza muito com os turistas, especialmente dos raros brasileiros que aparecem no interior do país. Só não entrei nesta sala de aula porque estava usando camiseta sem mangas ! (Não é um traje apropriado para um ambiente escolar.)

 

CÂMBIO

A moeda desvalorizada serve para favorecer as exportações do país, uma vez que seus produtos ficam mais baratos para outros países, e favorece também o turismo interno, uma das principais fontes de renda de Cuba. Um dólar equivale a aproximadamente 22 pesos cubanos. Mas não podemos comparar o poder de compra de outros países baseando-se no Dólar. Os salários dos trabalhadores em Cuba estão entre 250 e 1500 pesos cubanos. Porém, comparando o salário mínimo (12 dólares) com o poder de compra deste valor, é possível afirmar que vale mais que 190 dólares no Brasil (salário mínimo brasileiro). Vale lembrar que a maioria dos trabalhadores brasileiros gastam mais de 30% do salário somente em transportes coletivos, isto é, se não forem levar a família para visitar algum parente no final de semana. Atualmente, a maioria dos trabalhadores (aproximadamente 60 %) não possuem vínculo empregatício, e portanto, não recebem vale-transporte.

O gasto mensal de uma família cubana de 05 pessoas aproxima-se de:

energia: 20 pesos cubanos (menos de um dólar)

água: 18 pesos cubanos

aluguel: 15 pesos cubanos (varia entre 05 a 10% do salário do trabalhador)

cesta básica (Tablita): 0,05 centavos (alimento suficiente para 04 pessoas durante 10 dias aprox. que inclui ovo, batata, beterraba, mandioca, carne de porco, frango...)

arroz (fora da Tablita): 3,50 pesos cubanos o quilo.

Feijão (fora da Tablita): 4,70 pesos cubanos o quilo.

Carne de porco (fora da Tablita): 72,00 pesos cubanos (2,90 CUC) o quilo. Caríssimo, assim como muitos alimentos restritos ou importados, que são vendidos em Pesos Convertíveis (CUC). Um CUC equivale a 25 Pesos Cubanos, ou 1,10 Euros.

transporte coletivo: 0,05 centavos (1,10 pesos cubanos mensais)

prestação da geladeira: 1% do salário *

prestação da panela de pressão elétrica: 1% do salário *

*incentivo do governo para economizar energia elétrica substituindo as antigas geladeiras soviéticas e gás de cozinha, com a importação de milhares de geladeiras e panelas da China.

 

LAZER

O tempo livre dos cubanos é utilizado para passear, visitar museus, ir ao cinema, teatro, casas noturnas etc. Como os salários são muito baixos, os estabelecimentos do setor são subsidiados e cobram valores baixos. No interior, visitamos uma casa noturna com música ao vivo (Trova com sete músicos no palco). As bebidas locais custavam em torno de 0,30 centavos de Pesos Cubanos, e a entrada custava 0,03 centavos. Sorvete na praça central em torno de 0,15 centavos cubanos.

Pelo fato dos cubanos menores de 17 anos não trabalharem, o governo precisa preencher o tempo livre dos jovens. Assim como nos antigos países do Bloco Socialista, o esporte em Cuba tem uma "função social" em primeiro lugar, que é ocupar os jovens estudantes com atividades físicas. E obviamente, pelo fato de todos terem acesso ao esporte, nas competições internas se sobressaem muitos atletas, principalmente em esportes que requerem poucos recursos, como atletismo, fator ao qual muitos países utilizaram as competições internacionais com o objetivo de fazer propaganda do mundo socialista.

Para isto, da mesma forma que nos países capitalistas, os atletas que se sobressaem, são transferidos para os grandes centros de formação esportiva. Fator que gera muitas críticas da mídia capitalista, mas como sempre, sem aprofundamento no tema.

 

ENERGIA

Cuba enfrenta grandes dificuldades para seu crescimento econômico, uma vez que possui poucos recursos energéticos. Atualmente a ajuda da Venezuela com petróleo em troca de "médicos" trouxe mais conforto para os cubanos. A energia nuclear também ajuda, mas mesmo assim falta energia.

Catástrofes naturais constantes envolvem grandes gastos na manutenção energética. Embora não tenha presenciado, algumas pessoas informaram que ficam até 15 dias sem energia quando algum furacão devasta o país. Mas mesmo assim, o governo cubano incentiva a economia de energia. Aliás, o ano de 2006 foi o "Ano da Revolução Energética". Desde a Revolução de 1959, a cada ano um tema é escolhido para referência. Ano da Agricultura, Ano da Educação...

 

LIBERDADE

Assim como todo país socialista, que investe maciçamente na qualificação da mão-de-obra, Cuba teme a "fuga de cérebros". Por isso, para um cubano sair do país, mesmo a passeio, é muito difícil. Pelo que ouvi de algumas pessoas, é a maior reivindicação dos universitários.

Conversando com uma cozinheira aparentando 30 anos de idade e com formação universitária, ouvi a pergunta: - Por que você pode vir a Cuba e eu não ir ao Brasil ver o Carnaval ? Tentei explicar o problema da "fuga de cérebros" que ocorre nas universidades públicas brasileiras..., lembrei da AMAN, a famosa Academia do Exército que exige a permanência dos profissionais formados até custearem seus cursos..., citei o problema do câmbio entre Cuba e outros países e comparei entre o Brasil e Japão, em que ocorre um grande fluxo migratório de brasileiros em busca de melhores salários etc. Mas não convenci a colega, que dizia: --Eu não quero mudar de país, eu só quero conhecer...

Enfim, a 2ª geração pós-revolução, que não enfrentou a situação de extrema miséria que o país viveu até 1959, deseja mudanças. Mas mudanças bem diferentes das que ouvimos na mídia brasileira. Eles não querem comer BIGMAC, ou melhor, eles não querem ser consumistas, mas apenas consumidores, e principalmente conhecer o mundo exterior que conheceram apenas na teoria. Já possuem habitação (mesmo que precária), saúde, educação e alimentação (obviamente, caso contrário não teriam saúde e muito menos educação). É uma questão de "lógica": como um povo que possui expectativa de vida igual ou superior a muitos países ricos, não se alimenta ?

Crianças de seis anos já estão alfabetizadas. Em Matanzas, nos hospedamos numa casa parecida com os cortiços do bairro do Glicério, mas no interior tudo muito limpo e organizado. Ouvi uma mãe dizer de seu filho: - ele já lê e escreve, ele muito esperto e curioso ! Logo imaginei: de barriga cheia é bem mais fácil aprender.



TERRORISMO

TRABALHO

As relações trabalhistas são um pouco problemáticas. Embora não ocorra a exploração extrema entre patrão e trabalhador como no Brasil (com apoio do Poder Judiciário que defende claramente os interesses dos empresários e profissionais liberais em detrimento aos trabalhadores), existe uma divisão entre trabalhadores e administradores de empresas estatais, que vão desde indústrias de grande porte até pequenos estabelecimentos comerciais.

Infelizmente não pude me aprofundar nos critérios de escolha dos administradores, mas pelo que alguns funcionários comentaram, além do mérito e da votação (em algumas empresas há eleições), também existe o "indicado". Isto prejudica as relações entre os funcionários que muitas vezes são obrigados a trabalhar além do horário estabelecido, terem suas próprias ferramentas de trabalho, em outras palavras, desestimula o funcionário.

Também existe o administrador acomodado, como pude observar no interior. Um estabelecimento enorme praticamente sem mercadorias torcendo para que "não apareça" nenhum freguês. Enquanto que em outros, são similares às lanchonetes que conhecemos no Brasil, e não apenas para turistas, mas para todos os cubanos.

A jornada de trabalho é de 39 horas semanais no horário comercial (segunda a sexta: das 08 às 12 e das 14 às 17 horas, sábados: das 08 às 12 horas), mas muitos trabalham em revezamento (12X36, 24X72). Em lugares turísticos, o tempo ocioso serve para fazer "bicos" permitidos por Lei (ou não). Por isso, é comum observar muitos cubanos (adultos) passeando pelas ruas.

Como em qualquer lugar do mundo, algumas pessoas não gostam de muito trabalho, ou de trabalho pesado, ou gostam de ganhar dinheiro fácil. Muitos cubanos assediam os turistas com ofertas de charutos que "juram" ser de excelente qualidade, oferecem serviços de "busca" para os turistas que procuram qualquer coisa (rum, charuto, taxi, prostitutas, hospedagens etc.). Uma simples gorjeta pode representar 10% do salário mensal, ou seja, água, luz, aluguel e até telefone.

Apenas adultos podem trabalhar, após concluírem o Ensino Médio, geralmente aos 17 anos. Mas para que isto ocorra, o Estado precisa garantir ocupação para todos os jovens até essa idade, com educação, esporte, lazer, artes etc. É muito comum encontrar jovens, adultos e idosos jogando xadrez nas ruas, além de dominó.

Por isso é fácil compreender por que o país sempre se destaca em competições esportivas internacionais, principalmente em esportes populares como Atletismo e Volei, e não apenas em esportes elitistas como Iatismo, Tênis, Automobilismo, Hipismo...

TRANSPORTE

O povo cubano é muito parecido com o brasileiro, improvisam tudo. Pela falta de transporte coletivo, utilizam a carona solidária, restauração e adaptação de peças automotivas, motos, bicicletas, carros-de-boi, cavalos (no interior) etc. Nas grandes cidades, o transporte coletivo é muito precário.

Os "Camelos", como são conhecidos os caminhões adaptados com enormes carrocerias para transportar pessoas, estão sempre lotados, mas é a única opção com preço baixo: 0,05 centavos cubanos, que muitas vezes o itinerário curto impossibilita o pagamento para o cobrador. Embarcam e desembarcam pela mesma porta. Os carros antigos, de modo geral, são adaptados com motores diesel, subsidiado pelo governo.

NAÇÃO

Sempre dizem que o Brasil não é uma Nação, pois nosso povo não é "patriota". Acredito que apenas este fator não é suficiente para construir uma Nação, mas com certeza contribui. Pessoalmente não gosto de patriotismo porque acredito que o que divide a humanidade não são fronteiras, mas as classes sociais. No entanto, é compreensível a atitude de vários países do mundo em procurar fazer com que cada cidadão tenha orgulho e lute por sua pátria.

Aprendi nesta viagem que para fazer com que um povo seja patriota e se orgulhe de sua Nação é preciso encontrar uma referência em sua história, uma pessoa que lutou por seu país. Por isso, muitos países reverenciam "heróis" como Hiroíto, Lincoln, Mao-tsé-tung, Perón, Bolívar, Guevara, Enver Hocha, Lênin etc. Em Cuba o grande herói nacional é José Martí, presente em todos os lugares. Fidel Castro aparece apenas em propagandas governamentais que lembram os guerrilheiros revolucionários dos anos 50, assim como Camilo Cienfuegos e Che Guevara.

Por todo o país existem cartazes com textos de visam estimular as pessoas a lutarem para atingir uma meta, seja para reduzir o consumo de energia ou combater a dengue. Nas áreas rurais as propagandas são feitas com pedras nos morros, como mostrou o filme "Slogans" sobre a Albânia. Assim como no filme, acredito que em Cuba estas propagandas também sejam feitas por dirigentes locais com a ajuda das crianças, e obviamente não são voluntárias, assim como não era nada voluntário para mim cantar o Hino Nacional Brasileiro na escola.

A restrição de todas as formas de comunicação contrárias à Revolução faz com que a classe dominante cubana (trabalhadores) tenha o controle da mídia, assim como a classe dominante no Brasil ou nos EUA.

RELIGIÃO

Diferente do Brasil, em que algumas religiões são discriminadas como as de origens africanas, em Cuba o culto religioso não sofre restrições, e as pessoas se orgulham em manifestar sua fé. Nas ruas é muito comum observar mulheres de religião "Afro" (parecida com o Candomblé ou Umbanda) usando roupas brancas com colares e pulseiras. Nas pequenas cidades, a Igreja Católica localiza-se na praça principal, como no Brasil, além das Igrejas Protestantes.


CONSUMO

Sempre ouvi falar que em Cuba as pessoas consomem somente o básico. Que não tem sabonete, creme dental, sapato etc. Fiquei surpreso quando visitei as "Tiendas". Vendem de tudo: roupas, armarinhos, perfumes etc. Alguns estabelecimentos vendem produtos supérfluos, como run, hambúrguer, tintura para cabelo, cigarro e produtos essenciais como água sanitária, sabão em pó, caderno, lápis e muitas outras coisas que os fregueses pediam para o balconista (formado em Engenharia Elétrica), que atendia com atenção e depois voltava a conversar comigo. Apesar do orgulho do país, a reclamação era a mesma: - Por que não posso visitar outro país ? Eu só quero conhecer !

Fiquei imaginando a situação dele comparando Cuba com Pernambuco (que possuem dimensões territoriais parecidas), ser um pernambucano com permissão para conhecer apenas meu estado. Citei as dificuldades da grande maioria dos brasileiros com relação ao analfabetismo funcional, a pequena quantidade de universitários do país, a exploração dos empresários... mas não consegui convencer o colega.

Em Guantánamo, me assustei quando vi o motorista de taxi usando um telefone celular. E não era taxi de frota, era apenas um LADA muito bem conservado e equipado, com todas as frescuras que os jovens equipam seus carros aqui no Brasil. A telefonia dentro do país é eficiente e acessível. Mas para ligações internacionais é caríssima (R$10,00 por minuto).

No capitalismo as pessoas são induzidas a consumir aquilo que não precisam. A classe dominante utiliza inúmeros métodos psicológicos para crianças e adultos. Principalmente os adultos com baixo grau de instrução. Pode ser com propagandas de alimentos prejudiciais à saúde, remédios desnecessários, ou ainda, jogos de azar, que movimenta milhões de pessoas que acreditam na "veracidade" das máquinas caça-níqueis, por exemplo, tanto de forma legal como ilegal. Os ilegais são ignorados pelos órgãos públicos para que a "indústria da propina" não desapareça.

PROBLEMAS DO SOCIALISMO

A busca de um sistema sócio-econômico ideal gera muita polêmica, uma vez que toda forma de governo necessita de Leis para que os cidadãos tenham os mesmos direitos e deveres na sociedade, além de evitar a exploração dos "mais espertos" sobre os "menos espertos".

Mas na história da humanidade, a ganância de Poder nunca respeitou a vontade popular. A auto-determinação dos povos, tão defendida pelos socialistas, não foi respeitada.

Após a Revolução Socialista Russa em 1917, inúmeras comunidades que viviam isoladas em regime anarquista, portanto "mais evoluídas", foram destruídas pelo governo revolucionário, além do Imperialismo Soviético sobre o Afeganistão nos anos 80. Vale lembrar que o Anarquismo é o sistema sócio-econômico mais democrático e igualitário que existe.

Tema que provocou muitas discussões entre Marx e Bakunin no século XIX, este último sempre alertando sobre os problemas que geram o Estado centralizado, que pode até criar uma classe social de burocratas que se perpetuam no Poder. Marx, por outro lado, considerava o anarquismo "utópico", uma vez que para transformar uma sociedade competitiva numa sociedade cooperativista e igualitária seria preciso um longo período, que poderia durar algumas gerações, para que as pessoas mudassem valores e objetivos de vida.

Os dois tinham razão, porém, a utopia anarquista fracassou por não conseguir se defender dos "ataques" de outros povos, e não por problemas internos. A República de Palmares, no século XVII, mesmo sem saber, conseguiu formar uma sociedade anarquista durante quase um século, atraindo inúmeras pessoas de todas as etnias. Numa sociedade mais complexa, as idéias anarquistas chegaram até a Espanha na década de 1930. E foram derrotados pelo mesmo motivo (e se a moda pega?). Até hoje os anarquistas continuam firmes em suas teorias de repúdio a qualquer forma de domínio governamental.

O grande problema do Socialismo sempre foi a camada social que criou. Muito diferente do sonho de seus idealizadores e de até alguns líderes (como Fidel Castro, que iniciou a reforma agrária em Cuba pela sua propriedade), muitos burocratas não aceitaram a idéia de perder seus privilégios.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Assim como não existe imparcialidade em qualquer tipo de informação entre as pessoas, as informações descritas neste texto "não são isentas" ou imparciais. Foram feitas por um assalariado brasileiro que é contrário à sociedade de mercado, baseada na Lei da Oferta e Procura. Portanto, é muito importante que qualquer fonte de informação informe a classe social, partido político ou sistema socio-econômico que defende. "Não existe" informação neutra ou imparcial, embora as sete grandes famílias que detém os meios de comunicação no Brasil (Marinho, Abravanel, Frias, Mesquita, Saad, Civita e Macedo), insistam em afirmar que são isentas e confiáveis.

Existem diversas publicações no Brasil sobre Cuba, como os clássicos de Fernando Morais, Emir Sader, Inácio de Loyola Brandão, entre outros grandes escritores.

Poderia afirmar que aos 90 anos de existência, o Socialismo conseguiu encontrar soluções para os maiores problemas da humanidade, que são: alimentação, habitação, saúde e educação. Em contrapartida, o Capitalismo, com vários séculos de existência, aprofundou ainda mais as desigualdades sociais, excluindo milhões de pessoas destas quatro necessidades básicas. "Os problemas que existem no Socialismo, como corrupção, tráfico de influências, privilégios etc., também existem no Capitalismo", mas "as conquistas do Socialismo não existem no Capitalismo", com raras exceções na Europa Setentrional. Embora os sistemas socio-econômicos destes países apresentem forte interferência do Estado baseado na Teoria Keynesiana (Estado de Bem-Estar Social), muito diferente do Liberalismo (ou Neoliberalismo) defendido pelos economistas da classe burguesa nos meios de comunicação no Brasil. A política de interferência estatal na economia foi utilizada inclusive nos EUA para o desenvolvimento econômico após a crise de 1929. E hoje eles querem nos receitar remédios com fórmulas diferentes !

Portanto, não é o Socialismo que precisa ser mudado, mas sim, as pessoas que atrapalham seu funcionamento. Assim como o Anarquismo, que precisa avaliar seus mecanismos de defesa.

Afirmar que o Capitalismo é o fim supremo da humanidade é concordar com a idéia de que é preciso ter desemprego para controlar a economia, não combater as drogas lícitas e a violência pelo fato de "gerar empregos", destruir alimentos para manter seu preço estável, mesmo com milhares de pessoas famintas, ou ainda, investir fortunas em pesquisas para desenvolver "maquiagem resistente ao suor", "chocolate que não derrete no bolso" (para os soldados em guerra), telefone celular que lava, passa, troca fralda... , entre outras "prioridades", enquanto milhares de pessoas morrem por falta de saneamento.

E como a teoria de Adam Smith não se concretizou (a mão invisível do mercado controla a economia e beneficia a todos com a Lei da Oferta e Procura), a classe burguesa encontrou uma "neo" justificativa: "sobrevivem os mais fortes" (Darwinismo Econômico, apesar de Darwin não ter nenhuma relação com este tema), ou seja, se um indivíduo não tiver acesso à alimentação, é porque não é forte suficiente para sobreviver na sociedade capitalista. Uma teoria contraditória até mesmo com os princípios religiosos, uma vez que "todas as religiões" têm como princípio a Fraternidade e a Solidariedade entre as pessoas. E esses neoliberais ainda têm coragem de criticar o Socialismo por defender um Estado ateu.

A grande ferramenta de manutenção do Capitalismo é a miséria, que impede as pessoas de raciocinarem sobre seu passado, presente e futuro.

Gerson Rodrigues Leite, Abril/2007

COTAS E RACISMO NO BRASIL

A questão das "cotas" e o racismo no Brasil

 

 

No Brasil dizem que o racismo é sutil, camuflado etc. Para falar desta questão, seria preciso uma longa discussão em âmbito histórico e filosófico a respeito dos afro-descendentes no Brasil no que diz respeito aos valores culturais, interesses econômicos a partir do século XVI, da resistência heróica dos negros durante todo o período escravocrata, do "trabalho gratuito" dos negros durante séculos, das dificuldades enfrentadas no mercado de trabalho, entre outras questões. Este texto resumido é apenas uma tentativa de apresentar um posicionamento sobre a questão das cotas para afro-descendentes nas universidades públicas brasileiras. É importante dizer que este texto foi escrito por um assalariado contrário à forma capitalista da sociedade de consumo, e não por um membro ou representante da classe dominante. Como não existe informação neutra ou imparcial, é preciso identificar sempre a fonte e os interesses de quem está apresentando uma opinião.

No Brasil, os afro-descendentes ainda estão abandonados, mesmo depois de participarem "sem remuneração" do Ciclo da Cana-de-açúcar, do Ouro, do Café, do Cacau, da Borracha... e outras atividades que enriqueceram e enriquecem a burguesia brasileira. E o pior: nunca são lembrados ! Quando a mídia brasileira fala em povos que ajudaram a construir o país, lembram apenas dos italianos, alemães, japoneses, açorianos, libaneses, judeus, eslavos, espanhóis...

As Ações Afirmativas defendidas por alguns setores para compensar as dificuldades enfrentadas pelos negros são sempre questionadas !

Imagino como seria o processo eleitoral para as mulheres caso não existisse a Lei que estabelece cotas de 30% para as candidatas do sexo feminino nos partidos políticos. Por livre e espontânea vontade, um partido político não oferece oportunidade às mulheres para se candidatar, uma vez que a sociedade brasileira é "machista" e "não vota em mulher". Hoje já é possível observar a presença feminina na política graças às cotas. E isso, ninguém questionou. Assim como também nunca questionaram a "Lei do Boi", que aplicava cotas para filhos de fazendeiros nas universidades agrícolas. 

Mas quando uma idéia que contribui para corrigir "em parte" as desigualdades do povo negro, embora isto não solucione o problema, da mesma forma que um aumento de salário "não" elimina a exploração do patrão sobre o empregado, aparecem diversos setores da sociedade criticando e colocando obstáculos. É importante lembrar que o sistema de cotas é apenas uma medida a ser tomada "em curto prazo".

Um obstáculo sempre mencionado era que os pobres e negros não acompanhariam o ritmo de uma universidade.

Felizmente, nem todos "caíram nessa", e em um curto período, a mais conceituada universidade de medicina do país adotou o sistema de cotas, e na primeira estatística comprovou que os alunos cotistas conseguiram avaliações "melhores" que os alunos não-cotistas (é fácil entender: são pessoas que fazem não só o que querem, mas também o que "precisam"). Foi um prêmio às diversas organizações não-governamentais que lutam para corrigir as dificuldades enfrentadas pelo povo afro-descendente no Brasil.

É como se comparasse à uma corrida de 100 metros rasos para alcançar um objetivo, em que para um jovem pobre é preciso percorrer um trecho maior: 150 metros, por ter que trabalhar para sustentar a família. O jovem pobre e negro necessite percorrer 200 metros para conseguir uma vaga no mercado de trabalho, uma vez que muitas empresas não contratam negros, principalmente os setores relacionados ao atendimento público (é só observar a porcentagem de negros no comércio). Como disse um "conceituado" publicitário brasileiro "formado no exterior": "o negro desvaloriza o produto" (olha o nível dos nossos publicitários !!!), fato que justifica a insignificante presença de afro-descendentes em campanhas publicitárias, com exceção das "propagandas beneficentes", que mostram os negros sempre como "necessitados". Imagine o raciocínio de uma criança negra que cresce observando estas atitudes ?

O argumento é sempre o mesmo: ---O povo é assim ! O povo gosta disto ! Ou seja, oferecem aos adultos e crianças o que desejam e não o que necessitam. Aplicando esta "fórmula milagrosa", seria o mesmo que substituir a programação das emissoras de TV educativas (e estatais) pela programação inútil (em 95% dos casos) das emissoras privadas.

Em funções cujo critério de contratação de um funcionário é feito por exame escrito, o número de negros é "maior", mas quando o critério é por entrevista...

Para a mulher pobre e negra, é preciso percorrer 250 metros, e ainda enfrentar além dos três obstáculos já mencionados, a dupla jornada de trabalho (empresa e casa) com salários menores que os homens, apesar de desenvolverem as mesmas funções. E para a pessoa na condição de pobre, negra, mulher e portadora de deficiência física, 300 metros, pois é preciso enfrentar também a barreira do preconceito empresarial, pois a grande maioria das empresas não contratam pessoas com este perfil (contrariando a Lei já existente) para não "ter problemas", pois apesar de "produzirem mais", segundo os empresários, necessitam de atenção específica, o que contraria a lógica empresarial do "custo-benefício" (olha o baixo nível de novo !!!!). Ou seja, primeiro o lucro, depois o "resto".

E sempre dizem que no Capitalismo "as oportunidades são iguais para todos".

 

DIFICULDADES DOS AFRO-DESCENDENTES

(Comparando as dificuldades com uma prova de 100 metros rasos)

 

RICO: largada...... objetivo

POBRE: largada.......... objetivo

POBRE E NEGRO largada ............ objetivo

MULHER, POBRE E NEGRA largada .................... objetivo

 

 

MULHER POBRE, NEGRA, E COM DEFICIÊNCIA FÍSICA

largada..........................objetivo

Além das ações afirmativas, que procuram soluções sem apelar para o assistencialismo, não podemos esquecer da indenização que os negros não receberam após vários séculos de serviços prestados ao país. Os judeus que foram escravizados durante o nazismo foram indenizados pelas empresas alemãs que utilizaram sua mão-de-obra escrava (Bosch, Ericsson, Volkswagen...), assim como os japoneses, cuja população "civil" foi atacada por bombas atômicas sem motivos.

A SOLUÇÃO É A EDUCAÇÃO DE QUALIDADE ?

Criticar as cotas afirmando que o problema está na péssima qualidade do ensino público, é apenas uma forma de desviar a atenção para um outro problema ainda mais grave, mas com certeza, este problema só será resolvido se "no futuro tivermos profissionais que conheçam os pobres", e não apenas pessoas elitistas que elaboram um processo de seleção para o ensino superior priorizando o conteúdo, ao invés do raciocínio dos alunos, e o pior: conteúdo que muitas vezes é apresentado "apenas" em escolas particulares (viva o Apartheid !!!).

O problema educacional é uma questão a ser resolvida "em longo prazo", pois, não temos profissionais de nível superior suficiente para atuar nas áreas carentes de todo o país, tanto na área Educacional como na área da Saúde. São poucos pediatras, por exemplo, que optam por trabalharem na periferia das grandes cidades. O motivo é óbvio: são pessoas de "classe média" (com raras exceções) que querem trabalhar apenas com "gente bonita". Portanto, o sistema de cotas também servirá para mudar este quadro lamentável do nosso país.

Quando falam dos problemas da educação, lembram apenas dos professores. O professor não se dedica! O professor falta muito! O professor não conhece as individualidades dos alunos...!

Nunca falam da quantidade de alunos por sala, que atualmente chega até a 57 alunos em muitas escolas, como pude observar no ABC Paulista (para reduzir os "gastos" com a educação e "investir" em presídios e viadutos). Considerando que os professores necessitam de até 16 salas de aula para completarem sua jornada (isto se não fizerem "bico" em outras escolas!!), trabalham com a média de 700 a 900 alunos semanalmente.

Como podem conhecer as individualidades dos alunos ? É óbvio que os professores também contribuem para o problema, principalmente os que trabalham em escola pública (lecionam para filhos de trabalhadores) e não têm consciência da classe social que pertencem, mas também existem outros culpados!

E aparece Governo, Imprensa e diversos "educadores de gabinete", que obviamente "percorreram apenas 100 metros para alcançarem seus objetivos", se auto-afirmando "especialistas em educação". Com certeza seus filhos não estudam em escolas públicas, mas sim em escolas que possuem "regras para os alunos, professores, serventes, diretores... ".

Não podemos confundir regras com autoritarismo. Regra ou Lei significa respeito ao próximo para a convivência social.

Com a saída dos militares do Poder, muitos educadores acreditavam que o ensino deveria ser totalmente reformulado, mas existe uma diferença entre "conteúdo didático" e "autoridade escolar". Como dizia Paulo Freire: cabe aos adultos mostrarem o caminho certo às crianças sem autoritarismo, mas com autoridade.

O problema da educação no período militar era o "conteúdo" das disciplinas que despertam o raciocínio crítico dos estudantes, como Literatura, História, Geografia, Sociologia, Psicologia etc. Tentaram fazer destas disciplinas algo descritivo e decorativo. Apenas isto precisava ser mudado.

Sabemos muito bem que o abandono da escola pública serve para mascarar os interesses de muitos empresários, que lucram fortunas graças à falência do ensino público. A "aprovação automática", disfarçada de "progressão continuada", foi uma forma utilizada para manipular as estatísticas nos anos 90 que "reduziram os índices de reprovações e evasões nas escolas" (para conseguir empréstimos no exterior), e foi aplicada de forma muito diferente dos ideais de Darcy Ribeiro entre outros educadores que participaram da elaboração dos PCNs (Parâmetros Curriculares Nacionais).

Os resultados "catastróficos" (quem conhece uma escola pública de perto sabe que não estou exagerando!) da educação básica no Brasil após a implantação do Neoliberalismo já são suficientes para mostrar que a falta de regras nas escolas públicas é a causa da maioria dos problemas atuais do Ensino Fundamental e Médio.

O descaso com o ensino ocorre na maioria dos municípios e estados brasileiros que preferem "investir" em presídios, vias públicas... e se sobrar alguma coisa "gasta-se" com a educação mesmo, ou inventa-se alguma Lei para transferir as despesas do zoológico e da emissora de televisão estatal para a Secretaria da Educação, como fez o governo paulista nos anos 90.

Toda esta exposição sobre o tema" Educação" foi apenas para mostrar que aqueles que tanto criticam as cotas dizendo que precisamos melhorar a Educação no Brasil, são os mesmos que a destrói, e continuam lutando para piorar ainda mais a Escola Pública de Ensino Fundamental e Médio.

Enfim, é por isto que precisamos das cotas. Para que tenhamos no futuro, juízes, médicos, pedagogos, diretores de escolas, engenheiros, políticos, professores, advogados etc. que conheçam a realidade do povo brasileiro, e não apenas a realidade de uma minoria que estufam o peito e dizem: ---Eu não ando de ônibus !!!

Mas por que a opinião pública brasileira (principalmente uma parte da classe média) sempre questiona as atitudes que podem beneficiar a população pobre ? Vale lembrar que a política de cotas é uma forma de indenização e correção que "não dá o peixe", mas "ensina a pescar". Serve também como forma de compensar a discriminação dos patrões brasileiros que não contratam negros em suas empresas. Basta reparar no comércio das grandes cidades.

Talvez seja por isto que é tão questionada, pois a elite brasileira está acostumada a "dar o peixe" para que os pobres fiquem sempre na condição de escravos e miseráveis, aguardando o final do ano para receberem alimentos e presentes, a chegada do inverno para ganharem roupas descartadas, entre outras "boas ações" promovidas pela camada privilegiada da população brasileira, que se sente confortada ao dizer: --Eu fiz a minha parte !

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